Preocupação: Amigo ou Inimigo?

Preocupação: Amigo ou Inimigo?

August 25, 2018

Escrevo este artigo, em um momento em que várias coisas estão a acontecer ao mesmo tempo na minha vida e tenho pensado muito sobre os próximos passos a seguir.

Com isto não digo que coisas estão a correr mal e estou numa crise, mas só o facto de ter várias coisas a passar pela minha cabeça, sejam estas boas ou más já é o suficiente  para me deixar concentrado e parar para prestar mais atenção ao que se está a passar na minha cabeça.

O que se está a passar pela minha cabeça pode ser definido utilizando a  palavra preocupação.

“A preocupação é, num certo sentido, um anseio do que pode dar errado e como lidar com isso”. - Wikipedia.

Quando parei para analisar o que se passa e descobri que andava muito preocupado, tentei entender melhor este sentimento e acabei aprendendo  que é um sentimento importante mas não deveria deixar que tomasse muito do meu tempo e mudasse a minha atitude em relação às coisas.

Acho que se sentir preocupado é importante. Como mostra a definição acima a ideia de acharmos que algo pode dar errado faz com que comecemos a pensar em melhores formas de melhorar sobre o que estamos a fazer.

Pessoalmente olho para o facto de estar preocupado com algo como um sinal para investigar a causa do problema antes de continuar. O que descobri é que várias vezes, a causa do problema não está em uma determinada tarefa, ou pessoa mas sim relacionado a algo totalmente diferente.

Por outro lado, acho que se sentir preocupado é extremamente perigoso principalmente quando não conseguimos identificar porque estamos preocupados.

Ficar preocupado sem aperceber-se deste sentimento vai fazer com que comeces a desenvolver outros sentimentos como medo, zanga e possivelmente uma má interação com as pessoas à tua volta.

Quantas vezes voltamos para casa e não falamos bem com os nossos pais, parceiro(a), amiga ou familiares porque estávamos preocupados com um teste, entrevista ou até um trabalho para entregar?

O exemplo que acabei de dar e dos mais comuns mas  possível é criar preocupação para tudo o que fazemos na vida. E por experiência própria posso dizer que sempre que deixei este sentimento passar despercebido por qualquer que seja o motivo, não pude dar o meu melhor no trabalho, hobbies, interação com familiares, amigos etc.

Como disse acima, a preocupação é algo natural e que acontece com todos e que o objectivo não é ficar sem preocupar-se mas sim aperceber-se do sentimento e o tratar de forma certa.

Estou a aprender a trabalhar melhor com este sentimento e até então tenho seguido os seguintes passos:


Melhorar e aumentar o meu tempo de meditação:

Porque este sentimento acontece na nossa cabeça, é importante primeiro conseguir treinar a mente de tal forma que se tenha a cabeça calma e os pensamentos claros a maior parte do tempo. A melhor forma de fazer isto e pela prática de meditação.


Analisar, Aceitar e Rejeitar:

A partir do momento que começas a estar mais presente e aperceber-se sobre o que realmente se está a passar na tua cabeça, vais conseguir poder ter uma parte da tua mente a pensar sobre a preocupação em que estás a pensar.


Estando consciente de que se está preocupado, surge a oportunidade de começar a analisar este pensamento detalhadamente e entender exatamente o que se está a passar. Normalmente uma série de “Porquês” ajuda a entender a raiz de um certo problema.


Depois de entender a preocupação, é importante aceitar que estamos com este sentimento e não tentar fugir. Com isto falo de tentares sentir quais são os sintomas que estes pensamentos estão a criar no teu corpo. Normalmente grandes emoções e pensamentos fazem com que o nosso corpo reaja de uma certa maneira: Dores de cabeça, frio, enjoo etc etc.

Após aceitar que estas com este sentimento, o passo a seguir e rejeitar o sentimento. Parece contraditório aceitar e depois rejeitar o mesmo sentimento logo de seguida.
Neste caso, rejeitar não significa aceitar que não estás preocupado mas sim que o estado em que estás não te identifica e é apenas algo temporário.

Este último passo é um dos mais importantes, pois é normalmente onde está a raiz do problema. Digo isto pois quando estamos demasiado preocupados, ficamos a debater-nos com o passada ou o futuro.

E ao ficar no passado ou futuro, acabamos nos esquecendo do momento que temos diante de nós.

Estar presente no momento é extremamente importante pois as vezes é o melhor que podemos fazer. Por exemplo, te preocupares se vais fazer bem um teste de inglês  ou não dentro 2 meses e ficares os dias sem comer, entre outras coisas não vai mudar nada na situação.

Neste caso, se seguires os passos e rejeitar este sentimento, vais poder entender que o melhor que podes fazer e dedicar um tempo para estudar. Se preocupar sobre o exame, o examinador são coisas fora do teu controle e que não podes mudar.

Um outro exemplo é preocupar-se com o resultado de uma entrevista de trabalho antes de ouvires o resultado. Esta prática é simplesmente desnecessária pois o resultado dependia do que fizemos atrás e não podemos mudar.

Neste caso se analisarmos e descobrirmos que fizemos algo de errado, a melhor coisa a fazer e estar presente é simplesmente pensar no que podes fazer hoje para ter uma outra entrevista e que não vais cometer os mesmos erros.

No final das contas como diz um amigo meu o “Dário” de amanhã tem de ter algum trabalho. Se eu debater-me sobre todas as preocupações hoje, o “Dário” de amanha nao terá nada para fazer.



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